28 Outubro, 2020

Melhor Obra 2020 – Na Loucura da Dúvida

Durante o dia 10 de Outubro de 2020 o pseudónimo Eva Monte subiu ao palco da 2ª Edição da Gala dos Autores da Cordel D’ Prata 2020, no auditório Ruy de Carvalho em Lisboa para receber a mais desejada distinção literária. A obra “Na Loucura da Dúvida” da autoria de Eva Monte foi premiada como a “Melhor Obra 2020” um prémio de escolha 100% Editorial. A Cordel D’Prata entrevistou Eva Monte após este marco no seu percurso de autora de referecia em Portugal.

Como foi ouvir o nome da sua obra ser anunciado como vencedora em plena Gala dos Autores Cordel D’Prata? 

Ao receber o prémio conscienzalizei o reconhecimento da minha obra como um testemunho válido, senti que cheguei ao coração de quem leu o meu livro e que consegui transmitir o que são estas doenças e o sofrimento que implicam. 

Eva Monte

Uma surpresa e uma alegria!

Escrever este livro nasceu do sonho de, através dele, ser um testemunho do sofrimento que a Perturbação Obsessiva Compulsiva (POC) implica, bem como, do sofrimento da Depressão, a que a POC tantas vezes conduz. 

Acredito que entender é o primeiro passo para a aceitação. 

Aceitar e entender que o doente com POC é, apenas, mais uma pessoa que padece de uma patologia, que estas doenças não são uma fraqueza ou uma mania, mas sim entidades nosológicas bem definidas e conhecidas e que implicam um elevado sofrimento para o qual existe tratamento. 

Ao elaborar este livro quis, também, ser um vislumbre de esperança dentro do desespero e desesperança que tantas vezes assola o doente. 

A distinção ainda é muito recente, no entanto, já recebeu um contacto da Sic Noticias e Tvi para falar sobre a sua obra. Acredita que este Prémio poderá influenciar o seu reconhecimento e sucesso?

Na verdade, o que mais me passa pela mente é que este prémio pode ser a rampa para que estas doenças sejam mais conhecidas e reconhecidas. 

Eva Monte

Um passo para que a sociedade aceite o sofrimento provocado pela Doença Mental e para que se quebre o estigma que ainda lhe está tão associado. 

Que todos reconheçam que estas patologias são doenças graves, geradoras de um enormíssimo sofrimento e que os doentes possam, através do meu testemunho, acreditar e ter esperança num tratamento eficaz.

Que este prémio eleve a minha voz que quer dizer que é possível diminuir o sofrimento do doente com POC e com Depressão e que incita todos, os que sofrem destas dores, a arriscarem quebrar o seu isolamento. 

Por que razão assinar toda a sua obra com um Pseudónimo ao invés do eu nome real?

O uso de um pseudónimo apareceu, de início, como uma capa de proteção que me permitiu escrever sem filtros sobre a doença, sobre a minha experiência e sobre o meu sofrimento. 

Eva Monte

Acho que, só mais tarde, nasceu em mim o desejo profundo e verdadeiro de ser, na sociedade, um testemunho de superação da doença. O uso do pseudónimo foi perdendo parte da sua força, no entanto, após alguma reflexão mantive-o por uma necessidade de proteger a privacidade dos que me são mais queridos, principalmente, o meu marido e os nossos filhos.

O estigma da doença mental, infelizmente, ainda se encontra muito presente na nossa sociedade. Tinha agrado que o leitor soubesse que tenho todo o gosto em ser um testemunho de superação e aceitação e gostava de o ser de uma forma presente e vívida. No livro fiz questão que constasse o meu email, na badana, para poder ser um apoio acessível a quem a ele desejar recorrer.

Alguma razão especial para o seu Pseudónimo ser Eva Monte?

Já me fizeram várias vezes a pergunta do porquê do nome Eva Monte, penso que esperando uma justificação poética e elevada. Chegaram a sugerir que “Monte” seria uma alusão à caminhada difícil, ao escalar pelo tratamento. 

Espero não desiludir os leitores, mas a escolha do nome pouco tem de poético e nada de metafórico!

“Eva” era o nome próprio que gostaria de dar a uma filha, se tivesse tido mais uma menina. 

O apelido estava a ser difícil de decidir. Certo dia conduzia com a rádio ligada e disse para comigo “O primeiro apelido que ouvir será o apelido da Eva”, e assim foi, o primeiro apelido que ouvi na rádio foi “Montes”, pensei então: “Eva Montes” não fica bem, mas “Eva Monte” sim. E então assim ficou!

Já obteve algum retorno de quem leu o seu livro?

Um dos mails que recebi dizia: “…ler as suas palavras fez-me sentir, pela primeira vez, que alguém entende o meu sofrimento…Tenho 40 anos e foi-me diagnosticado POC na adolescência, embora a corrida pelos psicólogos, psiquiatras e até neurologistas tivesse início aos 10 anos, ao ler… muitas vezes parecia que eu mesma o tinha escrito de tão igual que é ao que eu passo e sinto… Estou-lhe muito grata por partilhar as suas experiências, e fazer-nos perceber que afinal não estamos sós.”

Sempre desejou ser escritora?

Engraçado, … de maneira nenhuma!

Sempre adorei ler, mas cresci virada para as ciências e é, nessa área, a minha formação. Se, em jovem, me dissessem que iria escrever um livro, acharia impossível. 

Mas a vida é repleta de imprevistos e pode ser verdadeiramente, surpreendente. 

Durante a doença, escrever tornou-se numa terapia e no momento, em que, quebrava a solidão em que vivia. 

Talvez, começar a dedicar-me à escrita, tenha sido uma das formas estranhas como a vida se manifesta… há, sempre, algo que nasce no meio de uma tempestade. 

No entanto, não deixo de recordar o sorriso com que o meu Pai lia as quadras que eu lhe escrevia, em pequena, pelo Dia de Aniversário e pelo Dia do Pai. Dizia que eu tinha “muito jeito para rimar”.

Agora, adoro escrever! Continuo a desabafar com o computador as minhas dúvidas e as minhas dores, as minhas experiências, as minhas conquistas, a rever o passado e a projetar o futuro, a testemunhar a vida que há em mim e que quero deixar em papel! 

Continuo, assim, a declarar guerra à doença e à solidão a que ela me remete.

Eva Monte

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