Conversa com o autor David Taveira

Quem é Drin? é o segundo livro do autor David Taveira que, após ter visto um filme chamado “Guardiões da Lua” decidiu pôr mãos à obra e criar um mundo todo ele habitado por conceitos.

Este livro conta a história de um rapaz que acorda sem se recordar de quem é, e que acaba por se descobrir num Universo totalmente diferente do que até então era conhecido. Neste novo “mundo” não há pessoas, animais ou plantas, mas sim conceitos.

Ao longo da história, os conceitos que tendo contacto com este jovem decidem chamá-lo de Drin, o que procura por si próprio. Esta é sem sombra de dúvidas, uma viagem pelo ensinamento do Mundo, dele próprio e da vida. Um livro repleto de Metáforas, Desejos, Expectativas, Medos e onde todos os conceitos são personagens.

David Taveira, o autor do livro, explicou-nos como surgiu a ideia de criar este livro, assim como desenvolveu a origem de alguns dos conceitos utilizados na obra.

AF: Como surgiu a ideia para escrever este livro?

DT: Surgiu-me ao ver um filme chamado “Os Guardiões da Lua”. Ao reparar que a lua e o sol desse filme são puxados por máquinas​, pensei “Que interessante a forma como apresentaram estes conceitos”. Bastou este pequeno pensamento para espoletar em mim a ideia de um mundo habitado por conceito. 

AF: Considera que a importância em relação às palavras tem vindo a mudar com os tempos?

DT: É claro que sim. As palavras estão sempre a mudar de importância, e algumas vezes até mudam de sentido. Uma palavra é um invólucro para um ou mais conceitos que comportam neles um ou mais sentidos. ​ Se não existissem palavras só existia este processo contínuo que é a vida, o desdobrar contínuo de uma experiência. São as palavras que permitem a cristalização dos momentos ou processos a partir dos quais se individualizam as coisas. A verdade é que as palavras que permitem que as coisas sejam coisas, sem palavras, como disse, só existiria o acontecimento que é a vida que sentimos viver.

O valor que se dá às palavras muda a perspetiva do homem e o seu comportamento. As palavras contêm sentidos, sentidos que apontam para um certo sentido. O valor de importância que se dá a uma palavra define a força que o seu sentido tem sobre nós. E é neste jogo quase caótico e absolutamente invisível que estes forças de sentido contidas nas palavras (dadas pela importância que se dá à palavra) arrastam a humanidade num movimento que desenha os seus desejos, as suas invenções, sua história, a sua arte, o seu pensamento… a sua cultura. Tudo graças às palavras e à importância que recebem. E graças às palavras/conceitos e ao pensamento que as articula que a humanidade saiu do plano dos animais e se ergueu na dimensão do Homem.

AF: Como foi o processo de seleção dos conceitos que iam ser abordados na obra?

DT: Antes de iniciar a obra criei uma de árvore genealógica dos conceitos primordiais (pais de todos os conceitos) onde se encontram o TODO, o Tudo, o Nada, a Consciência, entre outros.​ Depois fiz uma lista dos conceitos-chave que queria abordar para além dos que já se encontravam na árvore genealógica.​Por fim iniciei o processo de criação e durante a viajem foram surgindo mais alguns conceitos que eu não pude deixar de cristalizar nesta obra.

AF: Explique-nos, sucintamente, os conceitos de levitação, eu e errante, presentes na obra.

DT: A Levitação é o conceito que acompanha o Drin durante toda a sua viagem pois ela conhece o caminho até à Verdade, o conceito que Drin quer encontrar para lhe perguntar quem ele é. É também a Levitação que acaba por dar o nome ao Drin. Sem ela, Drin nunca teria o nome que tem e, mais importante ainda, nunca teria conseguido descobrir quem realmente ele é.​

O Eu é um conceito muito misterioso. Nunca ninguém viu a sua forma pois este encontra-se fechado numa espécie de casulo de cristal cuja parede interior é formada por um espelho por onde o Eu se observa de todos os ângulos. ​ O Eu pode significar duas coisas, pode ser o ego da pessoa, aquilo que ela pensa que é, ou pode ser o Eu real da pessoa. O Eu do Mundo dos Conceitos é capaz de mostrar esses dois eus, por um lado, não quer saber de ninguém que não seja ele, por outro lado, o Eu está sempre oculto, escondido do mundo, tal e qual o verdadeiro Eu que se oculta dentro de todos nós. ​

O Errante foi um conceito que eu adorei dar vida. Em vez de o mostrar como a maior parte de nós o vê, alguém triste e depressivo por andar sem sentido nem destino, mostro-o como um conceito cheio de vida, sempre bem-disposto. ​ O Errante encontra-se numa eterna viagem e acolhe todo e qualquer conceito que queira entrar nessa viagem. Ele nunca está parado, logo, caso esteja a acontecer algo interessante diante dele, este é obrigado a seguir caminho, perdendo o desenrolar completo da ação.​ Mas é esse fator supostamente negativo que o permite descobrir e revelar-nos uma grande sabedoria, que “seja o que for que esteja a acontecer, aquilo que nós vimos desse acontecimento é exatamente aquilo que precisávamos de ter visto, para trazer sentido e felicidade ás nossas vidas.​”

AF: Drin é o nome fictício da personagem principal do seu livro que “busca por si próprio”. Esta personagem foi inspirada em algum momento da sua existência?

DT: Drin quer dizer “o que busca por si próprio”. Este personagem foi e é inspirado em todos os momentos da minha existência, não só da minha existência, mas na existência de todos nós. A verdade é que todos somos Drin, quer o saibamos quer não. Há, de facto, alguns que já não são Drin, aqueles que se encontraram tornaram-se aquilo que nenhuma palavra é capaz de expressar, aquele Eu oculto que o Eu do Mundo dos Conceito nos faz lembrar.

Texto: André Filipe
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