Sim, sou um novo autor. E então?

Os novos autores continuam preparados para aparecer, os leitores nem sempre recetivos para os receber. O aparecimento de novos autores é um processo normal e recorrente, como o ciclo da vida. No entanto, as preferências pelos grandes e maioritariamente falecidos ídolos da escrita continua a ser uma forte preferência por parte dos leitores generalistas.

A Cordel d’ Prata acredita no renovar de gerações, visões e introspeções. Falamos com a nova autora Patrícia Fragoso, autora da obra infantil “Sol, o Gato Poeta” publicada em dezembro de 2019.

Ser novato, em qualquer área das nossas vidas, é obviamente uma etapa desafiante e repleta de incertezas, um mundo completamente novo pelo qual nos aventuramos sem ter bem a noção daquilo que nos espera e do caminho que essa experiência nos virá a traçar. Quando abracei esta aventura ainda não tinha definido nada do que pudesse vir a acontecer. Sentia, como é natural, uma enorme responsabilidade, por ser esta a primeira vez que ia tornar pública uma das paixões que mais me move e que me faz sentir realizada, mas relativamente à entrada no mercado literário, poucas referências tinha, o que tornou esta fase ainda mais imprevisível.

Patrícia, como foi ter publicado o seu primeiro livro?

Desde cedo que a escrita me fascina, mas esta ideia de ter um livro assinado em meu nome, no mercado, esteve longe de ser imaginada até há bem pouco tempo, confesso. Decidi arriscar com “Sol, o gato poeta”. Isto porque traduz exatamente o que é a minha pessoa. Uma amante de animais, principalmente de felinos; madura, mas que prefere, por vezes, não descer à Terra e andar pela Lua neste meu mundo ingénuo; crente num universo sem maldade, onde todos podemos respeitar os outros; uma apaixonada pelo abecedário e pela fonética envolvida na poesia.

Dizem que a primeira impressão é a mais valiosa, pelo que este fator contribuiu para o aumento do peso da responsabilidade que já sentia. Experimentei o dever de me superar neste desafio do desconhecido onde a escrita nos conduz num mundo infindável de oportunidades e onde o esforço constante é o que nos distingue e nos torna naquele dito clichê “a melhor versão de nós próprios”, seja em que área for.

O lançamento de um livro é sempre o que temos como primeiro impacto e, no meu caso, superou as minhas expectativas. Após pouco tempo de “Sol, o gato poeta” estar no mercado, surgiu um convite para a apresentação da obra e depois começaram a aparecer as escolas, mas, infelizmente, com esta situação pandémica tive de adiar as idas às mesmas.

Como sente ser recebida no mercado literário como nova autora?

Um dos meus objetivos ao querer que o Sol tivesse vida foi poder contribuir para a “Gatos do Jardim”, uma associação da minha área de residência, e isso despertou o lado solidário de algumas pessoas que adquiriram o livro.

O mercado é vasto e está inundado de autores com muito potencial, pelo que me sinto um pouco desconhecida, tendo um círculo ainda pequenino de “fãs” que acompanham o meu blog e outros textos que escrevo.

O facto de o meu nome ter sido inserido em duas coletâneas da Cordel d’Prata ajuda os leitores na descoberta de Patrícia Fragoso.

Sinto-me com a cabeça no mundo da Lua, mas a crescer com os pés na Terra.

Na verdade, seria possível sim, contudo não pensei em fazê-lo, nem acho aconselhável para quem o queira fazer. Não que esteja dentro deste mundo há muito tempo, mas a editora é o nosso pilar em todos os momentos. Refiro a minha experiência com a Cordel d’Prata, que me apoiou e ainda continua a fazê-lo.

Patrícia Fragoso

Teria sido possível realizar a sua obra sem editora?

Um novo autor, caso queira iniciar-se sozinho nesta caminhada, pode ocorrer em erros comuns pelo facto de não conhecer o mundo editorial ou até o simples facto de não proceder à revisão do manuscrito. Isto, para aludir que a editora trata de garantir uma boa paginação, ilustrações de qualidade e vai sempre ao pormenor na parte gráfica e na qualidade da impressão. Existem grandes erros que são evitáveis com o auxílio da editora.

Fora o que referi acerca do livro em si, a editora serve de alavanca de divulgação no mercado, funciona com redes de distribuição que garantem que a obra irá aparecer em sítios estratégicos e facilmente identificados para quem quer adquiri-la, impulsiona o reconhecimento do autor através de ações realizadas pela mesma.

O lançamento do livro foi outra das questões que a Cordel d’Prata fez questão de apoiar. Acompanharam-me em tudo, desde a escolha do espaço ao envio dos convites e acreditem que facilitou bastante o processo.

Digamos que escrever o livro acaba por ser a tarefa mais fácil. Depois disso, é necessário investir tempo, principalmente. Tempo este que servirá para divulgar e cativar os possíveis leitores.

Patrícia Fragoso

Quais as principais dificuldades em todo o processo de ser nova autora?

É preciso estar ciente de que o caminho é longo e será necessário batalhar, sobretudo quem entrar no mercado em tempo de pandemia, devido à situação que atravessamos no país.

O mais doloroso é mesmo o impacto de sermos autores novidade e o que fazemos para obter reconhecimento. Graças à tecnologia, redes sociais, podemos mostrar a nossa obra ao mundo sem investir muito financeiramente.

O online é um veículo poderoso de divulgação, onde os autores podem e devem apostar, divulgando excertos da sua obra ou até podem investir em livros digitais, contudo, a literatura continua a ter aquele cheiro característico que só se sente quando inspiramos fundo com um livro na mão. Um livro a sério com capa, folhas, com ou sem ilustrações. Um livro acaba sempre por ser um livro e, a meu ver, o mais difícil é dá-lo e darmo-nos a conhecer sendo novos nesta área.

Ao escrever o Sol, quis dirigir-me a um público mais jovem e, ao mesmo tempo, chegar aos pais e avós dos mesmos, com o sentido da aproximação, com o objetivo de explorar a mensagem que o Sol nos pretende transmitir.

Objetivos para o futuro? Segundo Livro? Vai continuar pelos contos infantis ou poderemos esperar umregisto diferente de Patrícia Fragoso na sua próxima obra?

O facto de tê-lo escrito em poesia teve um propósito: incentivar a leitura dos mais novos e, em simultâneo, prendê-los à leitura através da rima. As rimas colaboram com o aumento da aquisição da linguagem e com as habilidades da escrita, introduzem os mais novos no mundo da literatura e estimulam hábitos de leitura desde cedo, tal como a sensibilidade e até o pensamento crítico.

Quem me conhece bem, sabe que sempre tive um carinho especial pelos mais novos e pelas coisas incríveis que nós, adultos, conseguimos aprender com eles.

Tenho alguns contos infantis guardados na gaveta e, quem sabe, um dia talvez lhes dê vida!

Contudo, posso revelar que existe uma Patrícia Fragoso cheia de vontade de exprimir ao mundo uma outra faceta, um outro tipo de escrita mais adulta, mais aproximada com o conteúdo que alimento “A Ayla Conta”.

É através do blog que vou partilhando aquilo que sinto no momento e sobre vários assuntos. Este tem uma particularidade, escrevo e gravo em áudio aquilo que penso. Decidi fazê-lo porque nem toda a gente, infelizmente, consegue ler, por variadíssimas razões. Reconheço que o que se escreve tem o direito e o dever de chegar a todo o lado, a todos, mesmo com outro tipo de capacidades.

Espero que a Ayla, em breve, tenha novidades para vos contar!

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