“Um dia é o meu nome que vai estar na capa de um livro”, sonhava Ana Paula Pereira.

Desafiámos a autora Paula Araújo, vencedora do Prémio Literário de Melhor Obra 2018, a entrevistar Ana Paula Pereira, a quem recentemente foi entregue o Troféu de Melhor Obra 2019. Uma conversa que carimba o nosso passaporte para um mundo cheio de cor, magia e aventura.

O que representa para si ter vencido este ano o Prémio Melhor Obra da Cordel d’ Prata com o seu livro “A mania dos 7”?

Este prémio significa o reconhecimento público por parte de muitos amigos, dos meus leitores, de conhecidos e desconhecidos e demonstra também todo o carinho e confiança que a minha família depositou em mim. Temos de acreditar nos sonhos, lutar para que estes se concretizem. E a Cordel d’ Prata concretizou o meu. Ser-lhes-ei eternamente grata!

A sua ligação às artes em diferentes áreas, ao radiojornalismo, ao mundo dos blogues, foram motivos para a levar a pensar em publicar um livro?

A ideia de publicar um livro já vem desde criança. O meu pai ensinou-me as letras antes de eu ir à escola, daí que aprendi a ler muito cedo. E nessa altura já pensava… um dia é o meu nome que vai estar na capa de um livro.

Por que é que decidiu iniciar a sua caminhada pela escrita com um livro infantil?

O 7 é um número que representa o fim de um ciclo e o início de um novo

Adoro contar histórias. Fazia-o aos meus irmãos, depois à minha filha, entretanto aos meus sobrinhos. E quase sempre histórias originais e que eles adoravam ouvir. Do contar ao escrever foi um saltinho.

Relativamente ao seu livro “A mania dos 7”… por que é selecionou o “7” e não o “8” ou o“13”? O número “7” tem para si algum significado?

O 7 é um número que representa o fim de um ciclo e o início de um novo. Representa a totalidade, a perfeição, a consciência, a intuição, a espiritualidade, a vontade e a renovação. Segundo a Bíblia, Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, sendo este considerado um dia santo. O número 7 é também um regulador de vibrações, através das sete cores do arco-íris e das sete notas de música.

O enredo da sua história decorre em ambiente muito familiar e os avós, neste caso o avô, tem um papel preponderante. Considera que se deve continuar a insistir na importância da família e dos valores incutidos pela família através da escrita.

A família deverá ser o pilar de qualquer ser humano, sendo o seu exemplo aquele que lhe é apresentado em primeiro lugar. Mas há famílias e famílias. Se os valores passados por elas são aqueles que acreditamos serem os melhores, evidentemente que a escrita só os virá reforçar.

Uma boa história, que alie a componente lúdica, criativa, educativa é ótima para o desenvolvimento das crianças

Baseou-se naquilo que era antigamente saudável para as crianças, como o facto de terem o seu tempo para brincar, para criar e dedicarem tempo à criatividade, para reforçar que a felicidade plena delas está em dar-lhes tempo para serem crianças?

O Gustavo tal como todos os rapazitos da sua idade brinca com os amigos, com os primos, mas também gosta de usar o seu tablet, até porque o avô ensinou a pesquisar coisas muito interessantes na Internet. E tudo isto é saudável. Claro que tudo deve ser com o peso e a medida certa. Muitas vezes os pais esquecem-se que os filhos precisam de tempo com eles, que é preferível deixar o carro por lavar, ou a casa por aspirar e brincar com os filhos. As nossas crianças, e nós os adultos também, precisamos de tempo para os afetos.              

A magia das histórias da infância está vincada no seu livro? Julga que são fundamentais para o desenvolvimento de uma criança?

Todo o simbolismo à volta do número 7 remete-nos para um ambiente mágico. Uma boa história, que alie a componente lúdica, criativa, educativa é ótima para o desenvolvimento das crianças.            

O “7” tem uma influência marcante na vida da criança que é a personagem principal da sua história. Fez alguma pesquisa especial para procurar informação sobre este número para construir a sua história ou os seus conhecimentos permitiram-lhe escrever criativamente em torno deste número?

A pouca pesquisa que fiz foi sobre os monumentos das 7 maravilhas, antigas e atuais. Só para não cometer nenhuma gafe. Ainda tenho cá dentro o espírito de jornalista e tento manter-me minimamente informada sobre tudo. E além do mais adoro História, daí não precisar de grandes pesquisas.

Este avô é como todos os avôs….só queria ver o seu rapazito feliz

A sua narrativa faz uma espécie de roteiro turístico, cultural e histórico. Considera que é importante incutir tantos conhecimentos de várias áreas às crianças logo na primeira infância para os tornar cidadãos e adultos informados?

Os meus pais fizeram isso comigo e com os meus irmãos. As viagens de fim de semana serviam para isso mesmo, para conhecermos um pouco sobre tudo. Com a minha filha fiz o mesmo. É a altura da vida em que melhor aprendemos e apreendemos o que nos é transmitido.

Mas se, enquanto adultos, transmitimos às crianças conhecimentos e valores que elas aceitam como factos consumados, exagerando na quantidade dessa informação, não poderemos incorrer num risco de querermos contrariá-las, fazendo valer uma nova perspetiva ou opinião, e gerarmos um grande problema?

Nós, os adultos, temos de saber cativar as crianças com o que lhes transmitimos e ensinamos e temos de lhes incutir, desde cedo, o sentido crítico e deixá-los expressarem as suas opiniões, que se forem diferentes das nossas só temos de aceitar e respeitar.

A não-aceitação de uma nova realidade por parte da criança da sua história é vista pelos outros como uma “doença”, uma “obsessão” e o avô acaba por alimentar essa busca da procura de respostas. Considera que o avô é mediador dos problemas que vão surgindo ou o verdadeiro responsável por eles?

O avô quando se apercebe que foi um bocadinho “culpado” de tudo o que se estava a passar com o Gustavo tratou logo de resolver o problema. Este avô é como todos os avôs só queria ver o seu rapazito feliz.

O final desta história resulta da intervenção de uma pessoa que apresenta quase numa fórmula matemática a resolução do mesmo. Foi difícil terminar esta história ou, desde o início, já tinha imaginado o seu final?

A história do Gustavo quase que me foi sussurrada. Comecei a escrever e as ideias iam fluindo. Foi um processo criativo relativamente fácil.

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